sábado, 9 de abril de 2011

DIA 21

Outra falta e peso na consciência, juro que isso não vai se repetir.
A TV diz que a realidade pode ser um filme do Gus Vant Sant e eu não duvido disso. 
Caos.
Uma sala secreta cheia de fumaça. Daí vem vinho com água, depois de três taças nós não temos mais tantos segredos assim.
Sou pequena demais pra tudo isso, tudo isso transborda e eu não sei como parar.
Espero não ter estragado tudo de novo. Não importa quantas milhas eu ande, a história sempre se repete e os hematomas são os mesmos. Te mando notícias quando levantar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

DIAS 19 E 20

“Sorte e azar vão me disputar...”

19 - AZAR
Mais uma bolha no pé, de tanto procurar por aí. Logo nos primeiro minutos me vem o café adocicado pra fazer companhia, vem também a falta dos abraço, vem um tanto de frio. O sono e os possíveis sonhos são interrompidos por batidas na porta e um chorinho agudo. Dizem que os cachorros são os melhores amigos do homem, eu não tenho tanta certeza. Negação, negações. Uma seguida da outra, falta ar. Tenho duas semanas pra fazer malas de novo. E eu nem sei como me mover daqui até ali. Sempre acabo numa escada, com o rosto nas mãos e sem saber o que fazer. A ordem dos fatores não altera o produto.

20 - SORTE
As lágrimas hoje não são minhas, nem são tão tristes. Sou desatenta, viajo nos meus pensamentos o tempo inteiro, estou longe sempre. Sei que tenho colo, tenho um lugar pra me esconder e quem empreste algum lenço que me proteja o pescoço. O zumbido no ouvido pode ser um bom sinal, mas mesmo assim preciso diminuir o volume dos fones. Preciso lembrar de conferir listas compulsivamente, olhar a caixa dos correios sempre. As vezes as boas notícias chegam e a gente nem percebe.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

DIA 11-18

(acumulados como o lixo reciclável na área de serviço, porque eu sempre esqueço de descer as escadas com o que pode ser usado de novo e só me dou conta quando passa da hora, só me dou conta de que poderia ser falado quando as palavras não saíram. só me dou conta que acabou depois de dias de ausência... Mas acabou o quê?)


Me vem euforia do começo e eu faço força pra agarrá-la, pra degustar cada pedaço antes que acabe, que esse gosto doce nunca me saia da boca, eu peço, imploro, eu rezo. É até estranho de dizer, as senhoras me olham estranho quando eu entro naquela igreja, me ajoelho e rezo. E peço a Deus: "Por favor, exista."

segunda-feira, 28 de março de 2011

DIA 10

Febre e fogo. 
Distraída, acabo estragando o antídoto e continuando com esse nó na garganta. Desastre também podem  ser pontos turísticos, dignos de flashes. Mil desvios em uma rua infinita, qual é a porta certa: um, dois ou três? 
Me perco em avenidas mais infinitas ainda e a chuva já pensa em parar, mas ainda cai fina e me dá febre.
Me mantenho sóbria porque as garrafas são dificílimas de abrir. 
Me mantenho sem fumaça porque o isqueiro estava escondido em algum lugar da mala vermelha. 


Frio e azar.

domingo, 27 de março de 2011

DIA 9

A chuva lá fora não para desde sexta e eu fico aqui, caçando meus pedaços. 
E não há muito o que fazer num domingo, tudo está fechado e tenho que andar bastante pra encontrar um pacote de bolacha que seja.
Noite confusa, de revelações mais confusas ainda, daquelas que te fazem tremer a fala e pensar mil vezes antes de falar qualquer coisa, que despertam a risada mais sem graça e um certo constrangimento. Mas eu sei que é assim que grandes coisas surgem, vou deixar fluir, outro barquinho na correnteza...
No meio dessa bagunça e da noite que insiste em não acabar, eu sei que se você aparece agora eu falaria tudo que eu tenho guardado sem gaguejar... Mas isso é hoje, as palavras de amanhã eu ainda não decorei.

sábado, 26 de março de 2011

DIA 8

A dor de cabeça me impede de procurar luzes novas lá fora. Aqui dentro estão todas apagadas, não há muito o que enxergar.
Eu tomo coragem e água gelada, talvez faça mal pra minha garganta, hoje eu não ligo.

Tomo coragem e espero. 

DIA 7

&
Diário abortado.
Mas quando chove, eu sempre volto aos mesmos pensamentos e tem uma tempestade incessante na minha janela.
Eu volto.